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Vista aérea de parte da frente da cidade |
E o
tempo vai passando...
O
início, apenas a história conta.
Quantas
coisas aconteceram daqueles tempos heroicos até esta festa de 360 anos.
Imortalizada
a saudade na letra de Wilmar Fonseca musicada por Wilson Fonseca, a Canção da
Minha Saudade aí está como o hino do santareno ausente e como guardador de
lembranças dos mocorongos da velha guarda.
E é
com essas lembranças, mesclando um escrito meu de 2015 que hoje quero
homenagear esta Terra Querida.
As
praias "tão belas, prateadas como aquelas do torrão em que nasci"
permanecem apenas na poesia e na canção para apaixonar ainda mais os corações
ausentes.
A
Caieira e o Laguinho desapareceram.
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Praia de Alter do Chão |
No
Mapiri não há mais carinho e nem se ouve o canto do sabiá.
As
praias prateadas da frente da cidade sucumbiram sob o peso do concreto.
E a
bela Coroa de Areia? Sob as águas da vazante ela ainda aparece medrosa já sem a
cristalinidade de outrora.
E a
praia do Salé?
Sim,
aquela que era vizinha da Coroa.
E a
praia de São Marco, que era "tão branquinha"?
Para
onde foi a "candura da Prainha, da Vera Paz, da Maria José"?
As
canoas à vela, as catraias e os estivadores não mais existem como outrora.
O
hidroavião não mais espalha a água límpida do rio Tapajós com o seu pouso
barulhento.
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Ponta de Pedras |
O
Castelo cedeu seu lugar.
O
pequeno mercado se multiplicou.
Não
se ouve mais o serviço de propaganda que se ouvia em toda a cidade.
O HD
tomou conta das nossas casas.
Edifícios
apareceram, novos e populosos bairros vão surgindo atabalhoados, carentes e
distantes.
Nossas
"colônias" ficaram próximas.
O
"interior" das festas nativas, do caboclo inculto, se esvaziou por
necessidade de vida melhor. A velha professora que usava sua régua educativa,
cedeu lugar à professora que indica a web para ampliar conhecimentos.
A
sala de leitura se esvaziou.
O
livro carcomido pela utilização constante deu lugar à interatividade.
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Pindobal |
O
tinir do sino da Matriz não mais anuncia as Missas "das cinco" e nem
a hora do Ângelus.
Mas
ali está a Garapeira Ypiranga para contar a história. O Centro Recreativo para
lembrar o glamour de uma sociedade seleta.
O
Frei Ambrósio das escadarias seculares cedeu uma parte de si para um belo
Mirante que, de tempo em tempo, se revitaliza na tentativa de se tornar uma
atração do turismo moderno e sobreviver.
Os
rios Tapajós e Amazonas continuam sua briga ferrenha, feroz...
E a
minha, a sua nostalgia se mescla a tudo.
E
aqui, na minha Terra Querida, o vento matutino acalma minha saudade, o nascer e
o pôr do sol me consolam e as nuvens brancas ou escuras deste céu santareno,
eternamente, permanecem anunciando o que virá.
Mas
a bela, a histórica, a amada, a vaidosa e a moderna Santarém continua abençoada
pela Virgem da Conceição. E está aqui diante dos meus olhos e entranhada no meu
coração.
Parabéns,
"terra querida"!
(Santarém,
22/06/2021, 07:21hrs)
Texto de EMANUEL FIGUEIRA, fotos ilustrativas extraídas do Google